Eu já nem lembro de como eu era antes de você entrar na minha vida

conciliadora:

Amar, é sofrer sorrindo.


orquideo:

"Beijo gay na tv influência crianças" cresci vendo beijo hetero e nem por isso sou.



Aprenda a perdoar, porque você também erra.

Descobri que não é verdade o que dizem a respeito do passado, essa história de que podemos enterrá-lo. Porque, de um jeito ou de outro, ele sempre consegue escapar.
O Caçador de Pipas.  (via orquideo)

Ameaçado.

É engraçado porquê estávamos fazendo as pazes, tínhamos tido umas brigas e procuramos um lugar para reatar. Fomos a uma praça, muito frequentada, principalmente por outros casais gays. Conversávamos, riamos, e chegamos a nos abraçar umas duas vezes, mas ainda não tínhamos nos beijado, pois haviam crianças próximo ao local e não queríamos ser acusados por influenciar alguém a algo, até porquê, naquela praça, nós eramos o mais distante de má influência que alguém poderia ver.
Foi então que chegou uma combi, branca, e seu motorista, um senhor de idade, aparentava ter 50 anos. Ele sacou sua arma, uma pistola, embora eu não seja perito acredito que ela era uma famosa “38”, prateada e bem polida, fato que me levou a crer que ele a usava no trabalho. Ele aparentava estar bêbado, apontou a arma para mim, e começou a “conversar” sobre nossos atos “vulgares” naquela praça. Infelizmente, meu namorado só podia concordar com tudo o que ele falava e dizer que não iria se repetir, não por esse senhor estar certo e sim para não termos nossas vidas tomadas por um monstro num carro branco. Os argumentos dele eram confusos, ele contou que estava num bar próximo e viu nós nos “agarrando”, começou a falar que aquilo não era algo certo e muito menos algo que Deus queria, comentou também que tinha uma “mata” próximo ao local e que lá podíamos nos agarrar sem incomodar as pessoas. Eu continuava calado, apenas observando e o olhando diretamente nos olhos, ainda não sei bem a razão dessa minha reação, tudo o que eu conseguia pensar era em como reagir caso ouvisse algum disparo, o que eu poderia fazer caso ele atingisse a pessoa que eu mais amava e que estava desesperada de mais em tentar nos salvar para prestar atenção em outros detalhes? Foi então que ele notou que eu não piscava, e entendeu como se eu o estivesse ameaçando. Claro, faz muito sentido que eu, indefeso, sem armas, apenas com um olhar pudesse ferir ou causar algum mal aquele senhor. Mesmo assim ele continuava a encarar e começou a dizer que iria me matar, engoli em seco tudo o que eu estava imaginando e comecei a me concentrar em acalmar a situação, inventei que não conseguia entendê-lo devido ao barulho do motor que ainda estava ligado, pronto para a partida, meu namorado já perto do seu limite começou a tentar desviar a atenção daquela criatura e a essa altura já tínhamos atraído a atenção de algumas pessoas que passavam fingindo não notar muita coisa. Por fim, meu namorado conseguiu convence-lo de que aquilo, seja lá o que fosse, não iria se repetir e ele decidiu ir embora. Ligamos para a policia, pois eu tinha conseguido memorizar a placa, porém a policia nada pode fazer sobre o ocorrido além de anotar as informações que lhe passamos.
Alguns colegas nos falaram que este mesmo senhor já tinha atirado em um primo deles, foi então que fiquei ainda mais indignado. Como alguém, provavelmente militar, poderia apontar sua arma para pessoas que não cometeram nenhum crime, pior, ameaçou tirar nossa vida como se estivéssemos cometendo algum tipo de atentado, e nos tratando como mal exemplo. Que tipo de bom exemplo aquele senhor seria? Só consegui compará-lo com um tipo pior de bandido, mas não tive muito tempo para me preocupar com ele, havia alguém mais necessitado de minha atenção, meu herói, ele estava chorando, muito abatido, e eu tinha que fingir ser ainda mais forte do que já tinha conseguido, tive que consolá-lo atrair a sua atenção, nem que pra isso ele tivesse que me odiar, e foi o que eu fiz.
Foram os quarenta e cinco minutos mais sufocantes da minha vida, saber que a qualquer deslize de uma pessoa descontrolada poderia por fim não só a mim, como a pessoa que eu amo, isso foi algo que eu não desejo a ninguém, nem mesmo a ele.
O policial com quem falamos pediu um momento a sós com meu namorado enquanto eu repassava as informações, sinceramente eu não precisava do que aconteceu ainda naquela noite, ele começou a perguntar sobre traições, se meu namorado me amava, começou a se oferecer. Ainda bem que eu posso confiar, ele o respondeu dizendo que um dia alguém o amaria, chegaria e o completaria, que ele já tinha errado sim comigo, mas que tinha aprendido que nenhuma ilusão seria melhor do que uma vida. E embora isto tenha sido ruim, vendo agora, eu notei que isso também foi bom. Essas provações nos mostram diversas coisas, principalmente em quem você pode confiar e a quem você pode se dar.
Notar que infelizmente, nossa lei não foi feita para proteger os justos. foi um dos maiores choques que eu tive quando pude chegar na minha casa que fica no máximo a dez quilômetros da praça, trinta minutos andando. O segundo foi saber que o próprio policial que tinha chamado meu namorado para conversar a sós enquanto eu passava as informações a sua “assistente” tinha dado em cima dele. Foi muita hipocrisia notar que a pessoa que deveria, mas que não, me defender, também tentou tirar de mim o resto que me sobrava. Pessoas como essa são um tumor na sociedade,eu não acho que eles deveriam ser arrancados fora, mas deveria existir uma educação maior, melhor e mais abrangente. Existem diversas formas de acabar com o preconceito.
Infelizmente parece que amar alguém é um crime forte de mais para ser aceito. Eles falam sobre amar o próximo como Deus pediu, mas em vez disso eles esperam que Deus nos ame e que sejam eles os responsáveis por nos julgar. Como se ao beijar outro homem, ou outra mulher eu estivesse destruindo três famílias de uma única vez. Como se gerar e abandonar um filho fosse ainda mais brando do que ter dois homens morando juntos.


Só o que eu quero é ser o suficiente para você, mas nunca consigo.
A Culpa é das Estrelas.  (via repouse)
É preciso se arriscar pelas coisas com as quais você se importa.

E é assim mesmo, nós terminamos, mas nunca acabamos.

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